Notícias | Ratos com dois pais genéticos geram descendentes — um grande avanço na genética reprodutiva ainda muito distante do uso em humanos
Um estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) chamou muita atenção: pela primeira vez, ratos que carregam material genético de “dois pais” não apenas sobreviveram, mas também geraram descendentes saudáveis. A conquista é considerada um passo importante rumo à reprodução genética entre pessoas do mesmo sexo, embora os pesquisadores enfatizem que o uso clínico ainda está muito distante.
Pesquisadores da Shanghai Jiao Tong University criaram embriões contendo apenas informações genéticas paternas ao introduzir dois espermatozoides em um óvulo cujo núcleo havia sido removido. Como o desenvolvimento normal dos mamíferos depende de “marcas genômicas” genéticas de ambos os pais, o processo enfrentou grandes barreiras técnicas.
Grande avanço: a reprogramação epigenética supera a “barreira da marcação genômica”
Usando edição do epigenoma, a equipe reprogramou sete locais importantes no DNA dos espermatozoides, permitindo que embriões que, de outra forma, não conseguiriam se desenvolver, crescessem. Ao contrário da edição genética convencional, o método não altera a sequência do DNA; ele regula os “interruptores” dos genes para corrigir a expressão desequilibrada dos genes paternos.
Dos 259 embriões transferidos para ratas substitutas, apenas 2 ratos machos sobreviveram até a idade adulta, uma taxa de sucesso extremamente baixa. Mais importante, ambos geraram descendentes com aparência e características físicas normais após cruzarem com fêmeas, demonstrando plena capacidade reprodutiva.
Por que “dois pais” é tão difícil?
Ratos com duas mães genéticas foram criados já em 2004, incluindo a conhecida ratinha “Kaguya”. A reprodução com dois pais é mais desafiadora por causa da marcação genômica.
Durante a formação dos espermatozoides e óvulos, os cromossomos adquirem diferentes marcas químicas que determinam se certos genes ficam ativos ou inativos. Sem a contribuição materna ou paterna, esse equilíbrio é interrompido, podendo fazer com que genes essenciais sejam silenciados ou ativados duas vezes e impedindo o desenvolvimento embrionário.
Ao regular precisamente essas marcas epigenéticas, o estudo restaurou parcialmente esse equilíbrio sem alterar diretamente o DNA.
Potencial técnico e limitações práticas
O resultado apoia uma hipótese antiga de que a marcação genômica é a principal barreira à “reprodução por um único progenitor” em mamíferos e de que essa barreira pode ser tecnicamente superada.
No entanto, especialistas observam que atualmente a tecnologia está muito longe de ser adequada para uso em humanos:
Taxa de sucesso extremamente baixa (apenas 2 de 259 embriões)
Exige muitos óvulos e mães substitutas
Possíveis riscos de efeitos fora do alvo decorrentes da regulação epigenética
Os seres humanos podem exigir a regulação de locais mais numerosos e complexos
Pesquisadores da University College London disseram que o trabalho “demonstra que a marcação genômica é de fato a principal barreira e mostra que ela pode ser superada”, ressaltando, ao mesmo tempo, que a transposição clínica continua inviável.
Mesmo que isso seja alcançado no futuro, os indivíduos nascidos por esse método ainda teriam DNA mitocondrial doador do óvulo e, portanto, estritamente falando, teriam “herança de três progenitores”.
Direção futura: dos mecanismos básicos à medicina reprodutiva
Embora o uso clínico ainda esteja distante, o estudo tem implicações importantes para a ciência básica e a medicina reprodutiva:
Compreensão mais profunda da marcação genômica
Novos modelos para a pesquisa sobre infertilidade
Avanço da edição epigenética
Um caminho teórico rumo à reprodução genética entre pessoas do mesmo sexo
Os pesquisadores planejam explorar a regulação de outros locais importantes e melhorar as taxas de sucesso do desenvolvimento embrionário para avaliar melhor a abordagem.
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Um estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) chamou muita atenção: pela primeira vez, ratos que carregam material genético de “dois pais” não apenas sobreviveram, mas também geraram descendentes saudáveis. A conquista é considerada um passo importante rumo à reprodução genética entre pessoas do mesmo sexo, embora os pesquisadores enfatizem que o uso clínico ainda está muito distante.
Pesquisadores da Shanghai Jiao Tong University criaram embriões contendo apenas informações genéticas paternas ao introduzir dois espermatozoides em um óvulo cujo núcleo havia sido removido. Como o desenvolvimento normal dos mamíferos depende de “marcas genômicas” genéticas de ambos os pais, o processo enfrentou grandes barreiras técnicas.
Grande avanço: a reprogramação epigenética supera a “barreira da marcação genômica”
Usando edição do epigenoma, a equipe reprogramou sete locais importantes no DNA dos espermatozoides, permitindo que embriões que, de outra forma, não conseguiriam se desenvolver, crescessem. Ao contrário da edição genética convencional, o método não altera a sequência do DNA; ele regula os “interruptores” dos genes para corrigir a expressão desequilibrada dos genes paternos.
Dos 259 embriões transferidos para ratas substitutas, apenas 2 ratos machos sobreviveram até a idade adulta, uma taxa de sucesso extremamente baixa. Mais importante, ambos geraram descendentes com aparência e características físicas normais após cruzarem com fêmeas, demonstrando plena capacidade reprodutiva.
Por que “dois pais” é tão difícil?
Ratos com duas mães genéticas foram criados já em 2004, incluindo a conhecida ratinha “Kaguya”. A reprodução com dois pais é mais desafiadora por causa da marcação genômica.
Durante a formação dos espermatozoides e óvulos, os cromossomos adquirem diferentes marcas químicas que determinam se certos genes ficam ativos ou inativos. Sem a contribuição materna ou paterna, esse equilíbrio é interrompido, podendo fazer com que genes essenciais sejam silenciados ou ativados duas vezes e impedindo o desenvolvimento embrionário.
Ao regular precisamente essas marcas epigenéticas, o estudo restaurou parcialmente esse equilíbrio sem alterar diretamente o DNA.
Potencial técnico e limitações práticas
O resultado apoia uma hipótese antiga de que a marcação genômica é a principal barreira à “reprodução por um único progenitor” em mamíferos e de que essa barreira pode ser tecnicamente superada.
No entanto, especialistas observam que atualmente a tecnologia está muito longe de ser adequada para uso em humanos:
Taxa de sucesso extremamente baixa (apenas 2 de 259 embriões)
Exige muitos óvulos e mães substitutas
Possíveis riscos de efeitos fora do alvo decorrentes da regulação epigenética
Os seres humanos podem exigir a regulação de locais mais numerosos e complexos
Pesquisadores da University College London disseram que o trabalho “demonstra que a marcação genômica é de fato a principal barreira e mostra que ela pode ser superada”, ressaltando, ao mesmo tempo, que a transposição clínica continua inviável.
Mesmo que isso seja alcançado no futuro, os indivíduos nascidos por esse método ainda teriam DNA mitocondrial doador do óvulo e, portanto, estritamente falando, teriam “herança de três progenitores”.
Direção futura: dos mecanismos básicos à medicina reprodutiva
Embora o uso clínico ainda esteja distante, o estudo tem implicações importantes para a ciência básica e a medicina reprodutiva:
Compreensão mais profunda da marcação genômica
Novos modelos para a pesquisa sobre infertilidade
Avanço da edição epigenética
Um caminho teórico rumo à reprodução genética entre pessoas do mesmo sexo
Os pesquisadores planejam explorar a regulação de outros locais importantes e melhorar as taxas de sucesso do desenvolvimento embrionário para avaliar melhor a abordagem.
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