Notícia | Bloquear a liquefação do sêmen pode levar a um contraceptivo não hormonal
Um estudo liderado pela Washington State University (WSU) constatou que impedir que o sêmen passe de gel a líquido pode reter os espermatozoides e impedir que eles entrem no trato reprodutivo feminino para fecundar um óvulo. Publicados na Biology of Reproduction, os resultados apontam uma direção promissora para um novo contraceptivo não hormonal vendido sem receita.
Bloquear a liquefação do sêmen restringe o movimento dos espermatozoides
Os pesquisadores constataram que, quando a atividade do antígeno prostático específico (PSA) no sêmen humano foi bloqueada, o sêmen permaneceu semelhante a um gel, e a maioria dos espermatozoides ficou retida, sem conseguir nadar em direção ao óvulo. Normalmente, o PSA degrada a semenogelina, uma proteína do sêmen, permitindo que os espermatozoides se movimentem livremente após a ejaculação e fecundem um óvulo.
“Nosso objetivo é transformar essa descoberta em um contraceptivo sob demanda que as mulheres possam obter diretamente em uma farmácia, como os preservativos.”
—Professora associada Joy Winuthayanon, autora principal e diretora do WSU Center for Reproductive Biology
Métodos vendidos sem receita, como preservativos e espermicidas, apresentam taxas de falha de cerca de 13%–21%. Métodos hormonais, como anticoncepcionais orais e dispositivos intrauterinos, são mais eficazes, mas podem envolver efeitos colaterais, custos e barreiras de acesso. Pesquisas globais indicam que cerca de 48% das gestações não são planejadas, o que cria uma necessidade urgente de contracepção não hormonal.
Uma descoberta inesperada mudou o rumo da pesquisa
A pesquisa começou com uma descoberta incidental em 2015. Durante outro experimento de reprodução em camundongos, a equipe da WSU percebeu que algumas fêmeas não conseguiam engravidar porque o sêmen dos machos não se liquefazia. Em seguida, os pesquisadores usaram o inibidor inespecífico de proteases AEBSF para bloquear a liquefação do sêmen em camundongos e reduzir as taxas de gestação. Esses primeiros resultados haviam sido publicados anteriormente na mesma revista.
No estudo mais recente, a equipe estendeu o experimento a amostras de sêmen humano pela primeira vez. Eles confirmaram que o AEBSF tinha efeitos contraceptivos, mas sua possível toxicidade o tornava inadequado para uso em humanos. Depois, usaram um anticorpo contra o PSA para inibir especificamente essa proteína, obtendo uma inibição mais precisa e segura da liquefação do sêmen.
“O PSA é a principal enzima responsável pela liquefação do sêmen. Ele corta a rede de proteínas do sêmen e libera os espermatozoides. Com um inibidor do PSA, demonstramos que esse processo pode ser interrompido.”
—Dr. Prashanth Anamthathmakula, primeiro autor e atualmente pesquisador científico sênior da University of Missouri–Kansas City
Em busca de uma contracepção não hormonal segura e acessível
O próximo passo da equipe é identificar inibidores de moléculas pequenas mais específicos, que suprimam o PSA sem afetar outros sistemas do organismo.
“Esse será um processo longo. Esperamos desenvolver um produto seguro, sem efeitos colaterais e adequado para uso frequente.”
—Professora associada Winuthayanon
Alguns espermicidas comerciais podem enfraquecer a barreira natural da vagina e aumentar o risco de infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV. Essa estratégia atua diretamente sobre o sêmen, e não sobre o ambiente vaginal, e pode evitar essas preocupações relacionadas à toxicidade.
A pesquisa apresenta uma nova abordagem contraceptiva: impedir a fecundação alterando as propriedades físicas do sêmen, em vez de modificar os níveis hormonais. Se uma formulação segura e eficaz for desenvolvida, ela poderá oferecer às mulheres uma opção vendida sem receita e transformar a contracepção em todo o mundo.
Notícias | Bloquear a liquefação do sêmen pode levar a um contraceptivo não hormonal
Notícia | Bloquear a liquefação do sêmen pode levar a um contraceptivo não hormonal
Um estudo liderado pela Washington State University (WSU) constatou que impedir que o sêmen passe de gel a líquido pode reter os espermatozoides e impedir que eles entrem no trato reprodutivo feminino para fecundar um óvulo. Publicados na Biology of Reproduction, os resultados apontam uma direção promissora para um novo contraceptivo não hormonal vendido sem receita.
Bloquear a liquefação do sêmen restringe o movimento dos espermatozoides
Os pesquisadores constataram que, quando a atividade do antígeno prostático específico (PSA) no sêmen humano foi bloqueada, o sêmen permaneceu semelhante a um gel, e a maioria dos espermatozoides ficou retida, sem conseguir nadar em direção ao óvulo. Normalmente, o PSA degrada a semenogelina, uma proteína do sêmen, permitindo que os espermatozoides se movimentem livremente após a ejaculação e fecundem um óvulo.
“Nosso objetivo é transformar essa descoberta em um contraceptivo sob demanda que as mulheres possam obter diretamente em uma farmácia, como os preservativos.”
—Professora associada Joy Winuthayanon, autora principal e diretora do WSU Center for Reproductive Biology
Métodos vendidos sem receita, como preservativos e espermicidas, apresentam taxas de falha de cerca de 13%–21%. Métodos hormonais, como anticoncepcionais orais e dispositivos intrauterinos, são mais eficazes, mas podem envolver efeitos colaterais, custos e barreiras de acesso. Pesquisas globais indicam que cerca de 48% das gestações não são planejadas, o que cria uma necessidade urgente de contracepção não hormonal.
Uma descoberta inesperada mudou o rumo da pesquisa
A pesquisa começou com uma descoberta incidental em 2015. Durante outro experimento de reprodução em camundongos, a equipe da WSU percebeu que algumas fêmeas não conseguiam engravidar porque o sêmen dos machos não se liquefazia. Em seguida, os pesquisadores usaram o inibidor inespecífico de proteases AEBSF para bloquear a liquefação do sêmen em camundongos e reduzir as taxas de gestação. Esses primeiros resultados haviam sido publicados anteriormente na mesma revista.
No estudo mais recente, a equipe estendeu o experimento a amostras de sêmen humano pela primeira vez. Eles confirmaram que o AEBSF tinha efeitos contraceptivos, mas sua possível toxicidade o tornava inadequado para uso em humanos. Depois, usaram um anticorpo contra o PSA para inibir especificamente essa proteína, obtendo uma inibição mais precisa e segura da liquefação do sêmen.
“O PSA é a principal enzima responsável pela liquefação do sêmen. Ele corta a rede de proteínas do sêmen e libera os espermatozoides. Com um inibidor do PSA, demonstramos que esse processo pode ser interrompido.”
—Dr. Prashanth Anamthathmakula, primeiro autor e atualmente pesquisador científico sênior da University of Missouri–Kansas City
Em busca de uma contracepção não hormonal segura e acessível
O próximo passo da equipe é identificar inibidores de moléculas pequenas mais específicos, que suprimam o PSA sem afetar outros sistemas do organismo.
“Esse será um processo longo. Esperamos desenvolver um produto seguro, sem efeitos colaterais e adequado para uso frequente.”
—Professora associada Winuthayanon
Alguns espermicidas comerciais podem enfraquecer a barreira natural da vagina e aumentar o risco de infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV. Essa estratégia atua diretamente sobre o sêmen, e não sobre o ambiente vaginal, e pode evitar essas preocupações relacionadas à toxicidade.
A pesquisa apresenta uma nova abordagem contraceptiva: impedir a fecundação alterando as propriedades físicas do sêmen, em vez de modificar os níveis hormonais. Se uma formulação segura e eficaz for desenvolvida, ela poderá oferecer às mulheres uma opção vendida sem receita e transformar a contracepção em todo o mundo.
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