Notícias | Novo estudo constata que células imunes e a proteína RANK ajudam a regular a fertilidade
Um novo estudo constatou que células imunes no cérebro e uma proteína chamada RANK podem desempenhar papéis importantes na regulação do início da puberdade e da capacidade reprodutiva. Os pesquisadores afirmam que a descoberta oferece uma nova perspectiva sobre a regulação reprodutiva e pode identificar novos alvos para o diagnóstico e o tratamento de determinados distúrbios endócrinos e da infertilidade.
O estudo foi conduzido por uma equipe do Centro Nacional de Investigações Oncológicas da Espanha (Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, CNIO) e publicado na Science.
O início da puberdade depende do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal
A puberdade humana começa no cérebro. Especificamente, determinados neurônios do hipotálamo liberam o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), que então ativa a hipófise, localizada na base do crânio. A hipófise libera outros hormônios que iniciam a maturação das gônadas — os ovários ou testículos.
Esse sistema regulatório é conhecido como eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG) e é um mecanismo endócrino importante que governa a função reprodutiva.
Pesquisas anteriores estabeleceram que outros neurônios regulam os neurônios GnRH, mas o novo estudo identifica um participante antes não reconhecido nesse sistema: células imunes do sistema nervoso central.
Microglia ajudam a regular o eixo reprodutivo
A equipe descobriu que a microglia no cérebro pode regular a função dos neurônios GnRH.
A microglia é formada por células imunes importantes do sistema nervoso central. Sua principal função é remover possíveis ameaças e moléculas que não são mais necessárias, ajudando a manter a estabilidade do sistema nervoso.
A líder do estudo, Eva González-Suárez, chefe do Programa de Biologia de Células Cancerosas do CNIO, disse que foi significativo constatar que as células envolvidas na regulação da fertilidade eram células imunes, e não neurônios.
O estudo mostrou ainda que a microglia regula a atividade dos neurônios GnRH ao expressar a proteína RANK.
A RANK era conhecida principalmente por seu papel na remodelação óssea e também desempenha uma função importante na glândula mamária. Em 2010, a equipe de González-Suárez descobriu que a RANK desempenha um papel importante no desenvolvimento do câncer de mama.
A perda de RANK causa anormalidades reprodutivas
Em modelos animais, os pesquisadores suprimiram a expressão de RANK para observar seus efeitos no sistema reprodutivo.
A função reprodutiva foi acentuadamente prejudicada em animais machos e fêmeas quando a sinalização da RANK foi suprimida.
Animais nascidos sem RANK, ou nos quais ela foi removida antes da puberdade, apresentaram níveis muito mais baixos de hormônios sexuais, desenvolveram hipogonadismo e não entraram normalmente na puberdade.
Quando a RANK foi eliminada em animais sexualmente maduros, eles perderam a fertilidade em um mês.
Esses resultados indicam que a sinalização da RANK desempenha um papel importante na manutenção da função reprodutiva normal.
Estudo identifica mutações genéticas relacionadas em humanos
Para avaliar se esse mecanismo é relevante para a fertilidade humana, a equipe analisou geneticamente amostras de pacientes com hipogonadismo hipogonadotrófico congênito.
Esse distúrbio raro geralmente causa puberdade atrasada ou ausente e infertilidade. Pesquisas anteriores o atribuíram principalmente a uma função anormal dos neurônios GnRH ou a defeitos em moléculas relacionadas.
O novo estudo encontrou mutações no gene que codifica a RANK em alguns pacientes.
Os pesquisadores disseram que isso sugere que a RANK pode não apenas ser um possível alvo de tratamento para distúrbios endócrinos e infertilidade, mas também um biomarcador candidato para o diagnóstico do hipogonadismo hipogonadotrófico congênito.
Possíveis efeitos sobre vários sistemas neuroendócrinos
González-Suárez disse que a descoberta de que a microglia regula os “neurônios reprodutivos” por meio da sinalização da RANK é totalmente nova.
Ela acrescentou que esse mecanismo pode não se limitar ao eixo reprodutivo e poderia afetar outros sistemas neuroendócrinos, incluindo os que controlam o apetite e a saciedade e o eixo de resposta ao estresse.
Se confirmado em estudos posteriores, o mecanismo poderá ampliar a compreensão das interações entre os sistemas imune e neuroendócrino.
A colaboração interdisciplinar impulsiona a descoberta
A equipe também enfatizou que os resultados foram fruto de uma colaboração interdisciplinar.
O primeiro autor e pesquisador do CNIO, Alejandro Collado, disse que o estudo começou com uma pergunta de sua tese de doutorado: se a RANK desempenha um papel no desenvolvimento da glândula mamária durante a puberdade.
À medida que o trabalho avançava, a equipe percebeu que ele envolvia o sistema reprodutivo, a neurociência e as células cerebrais, o que levou à colaboração com pesquisadores de diferentes áreas.
As instituições participantes incluíram a Universidade de Córdoba e o Instituto de Pesquisa Biomédica Maimônides (IMIBIC), na Espanha; o Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm); o Instituto de Biomedicina de Sevilha (IBiS), na Espanha; e o Hospital Universitário de Lausanne (CHUV), na Suíça.
Collado disse que a colaboração interdisciplinar levou a equipe a conclusões que inicialmente não poderia ter antecipado e proporcionou novas técnicas e ferramentas de pesquisa que apoiarão trabalhos futuros.
Notícias | Novo estudo constata que células imunes e a proteína RANK ajudam a regular a fertilidade
Notícias | Novo estudo constata que células imunes e a proteína RANK ajudam a regular a fertilidade
Um novo estudo constatou que células imunes no cérebro e uma proteína chamada RANK podem desempenhar papéis importantes na regulação do início da puberdade e da capacidade reprodutiva. Os pesquisadores afirmam que a descoberta oferece uma nova perspectiva sobre a regulação reprodutiva e pode identificar novos alvos para o diagnóstico e o tratamento de determinados distúrbios endócrinos e da infertilidade.
O estudo foi conduzido por uma equipe do Centro Nacional de Investigações Oncológicas da Espanha (Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas, CNIO) e publicado na Science.
O início da puberdade depende do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal
A puberdade humana começa no cérebro. Especificamente, determinados neurônios do hipotálamo liberam o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), que então ativa a hipófise, localizada na base do crânio. A hipófise libera outros hormônios que iniciam a maturação das gônadas — os ovários ou testículos.
Esse sistema regulatório é conhecido como eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG) e é um mecanismo endócrino importante que governa a função reprodutiva.
Pesquisas anteriores estabeleceram que outros neurônios regulam os neurônios GnRH, mas o novo estudo identifica um participante antes não reconhecido nesse sistema: células imunes do sistema nervoso central.
Microglia ajudam a regular o eixo reprodutivo
A equipe descobriu que a microglia no cérebro pode regular a função dos neurônios GnRH.
A microglia é formada por células imunes importantes do sistema nervoso central. Sua principal função é remover possíveis ameaças e moléculas que não são mais necessárias, ajudando a manter a estabilidade do sistema nervoso.
A líder do estudo, Eva González-Suárez, chefe do Programa de Biologia de Células Cancerosas do CNIO, disse que foi significativo constatar que as células envolvidas na regulação da fertilidade eram células imunes, e não neurônios.
O estudo mostrou ainda que a microglia regula a atividade dos neurônios GnRH ao expressar a proteína RANK.
A RANK era conhecida principalmente por seu papel na remodelação óssea e também desempenha uma função importante na glândula mamária. Em 2010, a equipe de González-Suárez descobriu que a RANK desempenha um papel importante no desenvolvimento do câncer de mama.
A perda de RANK causa anormalidades reprodutivas
Em modelos animais, os pesquisadores suprimiram a expressão de RANK para observar seus efeitos no sistema reprodutivo.
A função reprodutiva foi acentuadamente prejudicada em animais machos e fêmeas quando a sinalização da RANK foi suprimida.
Animais nascidos sem RANK, ou nos quais ela foi removida antes da puberdade, apresentaram níveis muito mais baixos de hormônios sexuais, desenvolveram hipogonadismo e não entraram normalmente na puberdade.
Quando a RANK foi eliminada em animais sexualmente maduros, eles perderam a fertilidade em um mês.
Esses resultados indicam que a sinalização da RANK desempenha um papel importante na manutenção da função reprodutiva normal.
Estudo identifica mutações genéticas relacionadas em humanos
Para avaliar se esse mecanismo é relevante para a fertilidade humana, a equipe analisou geneticamente amostras de pacientes com hipogonadismo hipogonadotrófico congênito.
Esse distúrbio raro geralmente causa puberdade atrasada ou ausente e infertilidade. Pesquisas anteriores o atribuíram principalmente a uma função anormal dos neurônios GnRH ou a defeitos em moléculas relacionadas.
O novo estudo encontrou mutações no gene que codifica a RANK em alguns pacientes.
Os pesquisadores disseram que isso sugere que a RANK pode não apenas ser um possível alvo de tratamento para distúrbios endócrinos e infertilidade, mas também um biomarcador candidato para o diagnóstico do hipogonadismo hipogonadotrófico congênito.
Possíveis efeitos sobre vários sistemas neuroendócrinos
González-Suárez disse que a descoberta de que a microglia regula os “neurônios reprodutivos” por meio da sinalização da RANK é totalmente nova.
Ela acrescentou que esse mecanismo pode não se limitar ao eixo reprodutivo e poderia afetar outros sistemas neuroendócrinos, incluindo os que controlam o apetite e a saciedade e o eixo de resposta ao estresse.
Se confirmado em estudos posteriores, o mecanismo poderá ampliar a compreensão das interações entre os sistemas imune e neuroendócrino.
A colaboração interdisciplinar impulsiona a descoberta
A equipe também enfatizou que os resultados foram fruto de uma colaboração interdisciplinar.
O primeiro autor e pesquisador do CNIO, Alejandro Collado, disse que o estudo começou com uma pergunta de sua tese de doutorado: se a RANK desempenha um papel no desenvolvimento da glândula mamária durante a puberdade.
À medida que o trabalho avançava, a equipe percebeu que ele envolvia o sistema reprodutivo, a neurociência e as células cerebrais, o que levou à colaboração com pesquisadores de diferentes áreas.
As instituições participantes incluíram a Universidade de Córdoba e o Instituto de Pesquisa Biomédica Maimônides (IMIBIC), na Espanha; o Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm); o Instituto de Biomedicina de Sevilha (IBiS), na Espanha; e o Hospital Universitário de Lausanne (CHUV), na Suíça.
Collado disse que a colaboração interdisciplinar levou a equipe a conclusões que inicialmente não poderia ter antecipado e proporcionou novas técnicas e ferramentas de pesquisa que apoiarão trabalhos futuros.
Fonte da matéria:
Coletado na internet