Guia | Entenda os desejos alimentares na gravidez: como a ciência explica picles, sorvete e muito mais
As saídas noturnas para comprar picles e sorvete são mais do que uma lenda urbana. Muitas gestantes têm desejos repentinos e aversões alimentares, e a ciência ainda não explicou completamente o fenômeno.
Durante a gravidez da esposa, o executivo bancário nova-iorquino Bob Gaviglio costumava sair tarde da noite para encontrar donuts com cobertura de mel e chocolate exatamente do sabor que ela queria. “Comparado à dificuldade de carregar um bebê, era uma tarefa pequena”, disse ele. Histórias como essa refletem a frequência e a variedade dos desejos alimentares na gravidez.
Paladar e aversão: hormônios, psicologia e evolução
Pesquisas mostram que o paladar e o olfato podem ficar muito mais aguçados durante a gravidez, tornando alguns alimentos especialmente atraentes e outros repulsivos. Elizabeth Ward, nutricionista registrada e autora de Pregnancy Nutrition, afirma que esses alimentos reconfortantes podem proporcionar satisfação psicológica, enquanto se acredita que as alterações hormonais desencadeiem a resposta fisiológica.
Jennifer Niebyl, MD, chefe do departamento de obstetrícia e ginecologia da University of Iowa, acrescenta que os níveis de progesterona estão intimamente ligados às mudanças no apetite. Mulheres que tomam esse hormônio como contraceptivo ou para tratamento da menopausa frequentemente relatam preferências alimentares semelhantes.
Alguns pesquisadores também propõem uma explicação evolutiva. A bióloga Margie Profet sugere que fortes aversões a alimentos como brócolis, pimentas, cebolas ou café podem ser uma defesa natural contra possíveis toxinas, especialmente durante o primeiro trimestre, que é crítico.
Um equilíbrio saudável: satisfazer os desejos ou limitar as calorias?
Em geral, os médicos dizem que não há problema em satisfazer desejos ocasionais durante a gravidez, mas uma alimentação equilibrada continua essencial. As gestantes precisam de apenas cerca de 300 calorias adicionais por dia, principalmente de fontes extras de cálcio e proteína. Satisfazer todos os desejos pode levar a um rápido ganho de peso ou à obesidade.
Bruce Bagley, MD, disse sem rodeios: “Comer sem limites poderia rapidamente levar você a 400 libras. Uma alimentação sensata é a chave.”
Um pequeno número de gestantes desenvolve pica, o desejo de ingerir itens que não são alimentos, como terra, giz, goma para roupa ou até papel higiênico. Embora documentada desde a Antiguidade, nutricionistas alertam que ela pode indicar uma deficiência nutricional subjacente e deve ser discutida com um médico.
Os desejos alimentares na gravidez afetam as preferências da criança?
Algumas mães acreditam que os desejos da gravidez moldam os gostos futuros da criança. Anne Pike, de Illinois, teve desejo de mirtilos durante a gravidez, e seu filho mais tarde passou a adorar a fruta. Os especialistas consideram mais provável que isso seja uma profecia autorrealizável: mães que comem certos alimentos com frequência naturalmente os oferecem aos filhos mais vezes.
Pesquisas confirmam que o feto pode perceber sabores no útero e prefere o líquido amniótico adoçado, mas os alimentos ingeridos pela mãe não chegam ao feto sem alterações. A única relação bem fundamentada é que filhos de mulheres com enjoo matinal intenso podem preferir alimentos salgados mais tarde, possivelmente por causa da desidratação durante a gravidez.
Equilibrando instinto e razão
Aversões naturais podem ajudar as gestantes a evitar certos riscos, mas evitar fontes importantes de nutrientes, como verduras ou leite, pode causar deficiências. Nutricionistas recomendam substitutos, como leite sem lactose, quando necessário.
Os especialistas concordam que comer durante a gravidez não precisa causar ansiedade excessiva, mas a alimentação não deve ser irrestrita. Com uma dieta equilibrada, desejos ocasionais podem proporcionar prazer e aconchego à vida familiar. Como resumiu o Dr. Pitkin: “Comer é um dos prazeres da vida, não um tratamento. Depois que as necessidades nutricionais são atendidas, não há problema em mandar seu marido sair ocasionalmente à meia-noite para buscar uma sobremesa.”
Guia | Entenda os desejos alimentares na gravidez: como a ciência explica picles, sorvete e muito mais
Guia | Entenda os desejos alimentares na gravidez: como a ciência explica picles, sorvete e muito mais
As saídas noturnas para comprar picles e sorvete são mais do que uma lenda urbana. Muitas gestantes têm desejos repentinos e aversões alimentares, e a ciência ainda não explicou completamente o fenômeno.
Durante a gravidez da esposa, o executivo bancário nova-iorquino Bob Gaviglio costumava sair tarde da noite para encontrar donuts com cobertura de mel e chocolate exatamente do sabor que ela queria. “Comparado à dificuldade de carregar um bebê, era uma tarefa pequena”, disse ele. Histórias como essa refletem a frequência e a variedade dos desejos alimentares na gravidez.
Paladar e aversão: hormônios, psicologia e evolução
Pesquisas mostram que o paladar e o olfato podem ficar muito mais aguçados durante a gravidez, tornando alguns alimentos especialmente atraentes e outros repulsivos. Elizabeth Ward, nutricionista registrada e autora de Pregnancy Nutrition, afirma que esses alimentos reconfortantes podem proporcionar satisfação psicológica, enquanto se acredita que as alterações hormonais desencadeiem a resposta fisiológica.
Jennifer Niebyl, MD, chefe do departamento de obstetrícia e ginecologia da University of Iowa, acrescenta que os níveis de progesterona estão intimamente ligados às mudanças no apetite. Mulheres que tomam esse hormônio como contraceptivo ou para tratamento da menopausa frequentemente relatam preferências alimentares semelhantes.
Alguns pesquisadores também propõem uma explicação evolutiva. A bióloga Margie Profet sugere que fortes aversões a alimentos como brócolis, pimentas, cebolas ou café podem ser uma defesa natural contra possíveis toxinas, especialmente durante o primeiro trimestre, que é crítico.
Um equilíbrio saudável: satisfazer os desejos ou limitar as calorias?
Em geral, os médicos dizem que não há problema em satisfazer desejos ocasionais durante a gravidez, mas uma alimentação equilibrada continua essencial. As gestantes precisam de apenas cerca de 300 calorias adicionais por dia, principalmente de fontes extras de cálcio e proteína. Satisfazer todos os desejos pode levar a um rápido ganho de peso ou à obesidade.
Bruce Bagley, MD, disse sem rodeios: “Comer sem limites poderia rapidamente levar você a 400 libras. Uma alimentação sensata é a chave.”
Um pequeno número de gestantes desenvolve pica, o desejo de ingerir itens que não são alimentos, como terra, giz, goma para roupa ou até papel higiênico. Embora documentada desde a Antiguidade, nutricionistas alertam que ela pode indicar uma deficiência nutricional subjacente e deve ser discutida com um médico.
Os desejos alimentares na gravidez afetam as preferências da criança?
Algumas mães acreditam que os desejos da gravidez moldam os gostos futuros da criança. Anne Pike, de Illinois, teve desejo de mirtilos durante a gravidez, e seu filho mais tarde passou a adorar a fruta. Os especialistas consideram mais provável que isso seja uma profecia autorrealizável: mães que comem certos alimentos com frequência naturalmente os oferecem aos filhos mais vezes.
Pesquisas confirmam que o feto pode perceber sabores no útero e prefere o líquido amniótico adoçado, mas os alimentos ingeridos pela mãe não chegam ao feto sem alterações. A única relação bem fundamentada é que filhos de mulheres com enjoo matinal intenso podem preferir alimentos salgados mais tarde, possivelmente por causa da desidratação durante a gravidez.
Equilibrando instinto e razão
Aversões naturais podem ajudar as gestantes a evitar certos riscos, mas evitar fontes importantes de nutrientes, como verduras ou leite, pode causar deficiências. Nutricionistas recomendam substitutos, como leite sem lactose, quando necessário.
Os especialistas concordam que comer durante a gravidez não precisa causar ansiedade excessiva, mas a alimentação não deve ser irrestrita. Com uma dieta equilibrada, desejos ocasionais podem proporcionar prazer e aconchego à vida familiar. Como resumiu o Dr. Pitkin: “Comer é um dos prazeres da vida, não um tratamento. Depois que as necessidades nutricionais são atendidas, não há problema em mandar seu marido sair ocasionalmente à meia-noite para buscar uma sobremesa.”
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